No início do ano de 2020 a economia apresentava sinais de retomada. O 1º trimestre mostrou-se forte na recuperação da economia brasileira, marcados por bons resultados nos indicadores de arrecadação, mercado de trabalho e atividade. Todavia, desde final de fevereiro/2020, os primeiros impactos do novo coronavírus (COVID-19) no País, geraram a paralisação ou redução de atividades, modificando expectativas e a confiança de empresários e consumidores.

Conforme a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (COPOM), inúmeras medidas de inflação se encontram abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta. As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 2,0%, 3,3% e 3,5%, respectivamente. As projeções de curto prazo experimentaram revisões relevantes e adotam a perspectiva de deflação significativa nos próximos meses. Houve recuo adicional no preço do petróleo que tem oscilado em patamares historicamente baixos em razão de um choque expansionista de oferta e, principalmente, da queda na demanda global. O impacto da pandemia sobre a economia brasileira será desinflacionário e associado a forte aumento do nível de ociosidade dos fatores de produção. A significativa elevação da incerteza sobre a economia deve resultar em aumento da poupança e consequente redução da demanda agregada.

Referente a taxa básica de juros, a ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (COPOM) registrou a decisão unanime dos membros por reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,00% a.a. A descrição afirma que o comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021. A projeção do crescimento do PIB para 2020 foi revisada para -4,7%, ante projeção anterior de 0,0%.

Sobre a economia global, a ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil descreve que:

Assim como em outras crises internacionais, o aumento da aversão ao risco e a consequente realocação de ativos tornam o ambiente desafiador para os países emergentes. Em contraste com outras crises mais recentes, em que o epicentro estava localizado no Hemisfério Norte, nessa ele se desloca para todos os países, juntamente com a pandemia. Além disso, projeções apontam para uma recessão global com poucos precedentes históricos. Esses dois fatores ajudam a explicar uma saída de capitais de países emergentes significativamente superior à ocorrida em episódios anteriores. Entre os emergentes, aqueles com maior vulnerabilidade fiscal tendem a ser os mais prejudicados (COPOM).

A balança comercial brasileira, conforme dados divulgados nesse início de junho pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia (ME) registrou crescimento do volume das exportações no mês de maio, apesar do cenário adverso da economia global. O volume exportado, medido pelo índice de quantum, aumentou 5,6% em relação a maio de 2019. No acumulado do ano, o aumento das vendas para o exterior foi de 1,7% em relação ao mesmo período de 2019. Esse bom desempenho em maio foi determinado pela alta de 36,1%, no volume das exportações do setor agropecuário. Além do aumento no volume de exportação, o Brasil obteve recorde histórico para meses de maio dos embarques de soja (15,5 milhões de toneladas), petróleo em bruto (8,4 milhões de toneladas), açúcares e melaço (2,7 milhões de toneladas), farelo de soja (2 milhões de toneladas), óleos combustíveis (1,6 milhão de toneladas), alumina (789 mil toneladas), carne de aves (373 mil toneladas), carne bovina (155 mil toneladas) e café (216 mil toneladas).

No acumulado do ano atual, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 40,1 milhões (23,8%) em Agropecuária; queda de US$ -7,79 milhões ( -4,1%) em Indústria Extrativa e queda de US$ -70,27 milhões (-13,7%) em produtos da Indústria de Transformação.

Finalizando a análise para esse período, o Ministério da Economia (ME) afirma que após a pandemia, o país terá de enfrentar quatros grandes desafios: o desemprego, o aumento da pobreza, o grande número de falências e a necessidade de um mercado de crédito mais eficiente. Os líderes enfatizam ainda que para tal recuperação será importante e necessária a continuidade das reformas estruturais propostas.