"O setor de alimentação fora do lar será um dos mais impactados pelo aumento do número de casos do novo coronavírus no Brasil, mas isso pode ser compensado pelo crescimento dos pedidos através do delivery e do "take away" – pegar no balcão para levar para casa. É o que preveem especialistas do mercado de food service ouvidos pelo Bom Gourmet Negócios.

Com um movimento menor nas ruas, a expectativa é de que a entrega em domicílio ou a retirada no restaurante aumentem significativamente, abrindo um novo mercado para restaurantes que ainda não atuam nestes segmentos. Simone Galante, CEO da Galunion Consultoria para Foodservice de São Paulo, diz que este é um momento de disrupção na gestão dos negócios, criando novas oportunidades.

“A gente está vendo que os restaurantes que optarem por esses serviços vão conseguir minimizar as perdas que possam acontecer. Mas eles precisam deixar claro para os clientes que estão tomando os cuidados necessários de higiene e segurança alimentar na produção e na entrega dos pedidos”, explica.

Para as empresas que fazem a intermediação de entregas em domicílio, o movimento já vem crescendo desde a semana passada. O aplicativo Eu Entrego estima um aumento de 50% no volume de pedidos de delivery. A startup colombiana de entregas Rappi também diz ter recebido um aumento significativo de atendimento por conta do novo coronavírus.

Diego Barreto, vice-presidente de estratégia do iFood, explica que não há como projetar como o mercado vai se comportar nas próximas semanas. Para ele, tudo vai depender de como a doença vai continuar avançando no Brasil.

“O iFood já está testando entregas com menor contato, onde o usuário pode combinar com o entregador via chat onde deixar o seu pedido. Em breve, anunciará outras ações para realizar as entregas sem contato que estão sendo estudadas para oferecer a melhor experiência aos entregadores parceiros, consumidores e restaurantes”, disse.

A empresa também estuda flexibilizar as taxas cobradas dos restaurantes para intermediar os pedidos, uma demanda antiga dos empresários que voltou à discussão neste período de crise. Outra medida adotada pelo iFood é a criação de um fundo solidário de R$ 1 milhão para dar suporte aos entregadores que necessitem permanecer em quarentena, mas os detalhes de como a ajuda poderá ser acessada ainda não foram definidos.

Mercado promissor

Embora ainda não existam regras restritivas de circulação dos clientes ou ordem de fechamento dos restaurantes, muitos estabelecimentos já estão se antecipando e implantando o serviço de delivery. Sérgio Ricardo Wahrhaftig, sócio do restaurante Bobardí, em Curitiba, diz que nunca cogitou operar neste formato, mas que o fará a partir da próxima semana para minimizar os riscos de contágio.

“Achamos que a experiência do cliente na loja tem muito valor, mas diante da atual situação, vamos implantar a titulo extraordinário o nosso delivery. Após este momento de pandemia, pelo menos por 90 dias, iremos analisar se continuaremos ou não com o delivery”, disse no grupo de empresários do Bom Gourmet Negócios no WhatsApp.

As padarias também estão se movimentando para começar a servir pelo delivery, como a rede curitibana Saint Claire. A marca lançou nesta semana a entrega em domicílio com atendimento por telefone e WhatsApp, e pagamento no caixa pelo sistema ‘take away’."

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