“Quem é esse cara que está me segurando?” 

“Por que aqui é tudo tão grande?” 

“Estou com frio, aqui é muito gelado! 

Aiiiii, por que todos falam tão alto?” 

“Cadê minha mãe?” 

Buá, buá, buá!” 

Estávamos lá quietinhos, tranquilos, quentinhos, no lugar mais seguro que poderia existir, e repentinamente, somos apresentados ao mundo sem nenhuma formalidade... 

E o choro é a nossa primeira reação... e uma reação, totalmente, compreensível... 

Então nos primeiros minutos de vida já começamos a aprender... inclusive aprender a chorar para nos defender do novo...  

Mas aprendemos mais, muito mais... 

Aprendemos a reconhecer a voz, o carinho, e o cheirinho daquela que nos carregou por tanto tempo, logo que somos colocados no aconchego do seu colo... 

Aprendemos que agora temos outra forma para nos alimentar... 

Aprendemos a nos comunicar com alguns “aguguguagu”... aprendemos a segurar os objetos... aprendemos a fazer denguinho... aprendemos sentar... aprendemos o que é saudade...  

Aprendemos comer sozinhos, caminhar, a falar... 

E seguimos aprendendo...  

Aprendendo a retribuir um sorriso, sorrindo... a trocar um abraço por outro... a ser carinhosos, recebendo carinho... Assim como aprendemos amar, sendo amados... 

Aí começamos numa nova linha de aprendizagem... aprendemos a reconhecer cores, números,  letras... aprendemos a dividir o lanche como também brincar com todos os coleguinhas... 

Logo aprendemos que a mamãe e o papai vão, mas voltam... também aprendemos desenhar, pintar, ler, escrever, fazer continhas...  

Em sequência começamos estudar biologia, física, química, história, geografia... 

E quando parece que já sabemos tudo, algo estranho acontece... 

Já não conseguimos retribuir a todos os sorrisos, sorrindo... 

Já escolhemos a dedo com quem “brincar”... 

E as estranhezas continuam... 

Não dividimos mais o lanche, sequer observamos se alguém ao lado está com fome... 

Só procuramos aquele colo aconchegante quando estamos, completamente, arrebatados... 

E agora que já falamos tão bem, nem sempre queremos nos comunicar...  

Aquele mundo que nos foi apresentado de forma tão brusca, no entanto se mostrou tão generoso nos primeiros tempos, impressiona com uma face diferente... Uma face assustadora, que aos poucos vai nos moldando, para nos assemelharmos a ele...  

E acompanhando o mundo, vamos crescendo em peso, altura, conhecimento científico... E desaprendendo os bons sentimentos... 

Crescendo como chefes de família, e esquecendo a generosidade... Crescendo como profissionais, e sendo cada dia mais egoístas e egocêntricos...  

E assim, surpreendentemente, vamos crescendo e desaprendendo... Crescendo e desaprendendo... crescendo e desaprendendo...  

Mas não é preciso que seja assim...  

Podemos voltar nosso olhar ao passado e reaprender como é amar sem restrição, como é viver com generosidade, como é abraçar sem discriminação... 

É possível mudar...  

Se você cresceu e desaprendeu, respira fundo, conte até 10 mil se for necessário, e volte para a escolinha, porque sempre é tempo de aprender...  

Aprender principalmente, que não precisamos estar no último lugar seguindo o mundo, podemos puxar uma nova fila, e fazer com que o mundo nos siga...